Feira Internacional de Maputo

FONTE: Lusa

2016-08-30 00:00:47

Maior feira de Moçambique também atrai negócios de rua

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A poucos metros da entrada principal da Feira Internacional de Maputo (Facim), também há negócios e nem a fraca adesão de público no primeiro dia abala a persistência de quem vê o evento como oportunidade.

Há quatro anos que Selma Mira, 23 anos, faz-se de madrugada às escuras ruas de Ricatla, nos arredores de Maputo, vinda do bairro do Aeroporto, na capital, para conseguir um lugar privilegiado junto da entrada da maior feira de Moçambique, numa das várias barracas precárias instaladas nos arredores da Facim.

Sem um meio de transporte pessoal para carregar os produtos que vende na sua pequena barraca feita de zinco, habitualmente a jovem comerciante socorre-se dos transportes públicos para chegar ao distrito de Marracuene antes das 04:00, numa "correria arriscada", mas que garante "mais um dinheirinho" para a sobrevivência dos seus dois filhos.

"É mais uma forma que nós temos para ganhar algumas moedas", diz à Lusa a comerciante, enquanto prepara o almoço do dia. Não esquece que é preciso marcar a diferença para "acabar com a concorrência".

A sofisticação das grandes tendas organizadas dentro da Facim contrasta com a realidade das barracas de construção precária esquecidas ao longo da avenida que dá acesso à feira, num misto em que a vegetação de uma zona em expansão mistura-se com as más condições higiénicas dos pequenos comerciantes.

"Estamos aqui porque não temos muitas alternativas. Não temos a possibilidade de vender os nossos produtos dentro da feira", lamenta a comerciante.

Além da "magia na panela", explica Selma Mira, o principal trunfo de quem vende na rua na Facim está no preço, na medida em que os estabelecimentos do interior da feira estipulam valores "muito mais altos".

Uma refeição no interior da feira pode atingir valores altos, muito superiores aos cem meticais (1,2 euros) que Selma Mira cobra por um frango à zambeziana com arroz, o seu "maior trunfo".

"Eu preferi sair para comer aqui fora", declara à Lusa Rossana Chirafo, uma funcionária que representa a província de Nampula na Facim, acrescentando que, com a subida do custo de vida em Moçambique, "é sempre bom poupar".facim

A maior parte dos clientes que procuram a barraca de Selma Mira são trabalhadores das empresas expositoras e, apesar da fraca adesão de público, típica dos primeiros dias da feira, a expectativa da comerciante é positiva, mesmo ciente de que o país atravessa "tempos complicados".

"Com esta crise, não há dúvidas, quem é preguiçoso não vai sobreviver", adverte a comerciante, observando que a esperança é sempre a última a morrer, principalmente para quem apenas procura "garantir o futuro da sua família".

A Facim decorre até 04 de Setembro em Marracuene, nos arredores de Maputo, com a presença prevista de 2.250 empresas moçambicanas e 630 estrangeiras, provenientes de 33 países.

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