Feira Internacional de Maputo

FONTE: Lusa

2016-08-26 13:11:54

Feira de Maputo pode ser rampa de relançamento da economia

A Feira Internacional de Maputo (Facim) pode ser uma plataforma para os investidores se posicionarem com vantagem na retoma da economia moçambicana, actualmente assolada por uma crise, disse à Lusa o presidente da entidade promotora da exposição.

"Os investidores sabem que as economias passam por ciclos negativos e positivos, sabem que esta crise é passageira e podem ter na Facim uma plataforma para se posicionarem em vantagem quando chegar a retoma", disse João Macaringue, presidente do Instituto de Promoção das Exportações (Ipex).

Segundo Macaringue, as centenas de empresas participantes na 52.ª edição da Facim, que arranca na segunda-feira, vão permitir a exposição do enorme potencial ainda inexplorado de que Moçambique dispõe e das vastas possibilidades de negócio e investimento, quando a actual conjuntura adversa for ultrapassada.

"O futuro pós-crise deve ser encarado com optimismo, convertendo as crises em oportunidades. Logo que os factores combinados que devem ser mobilizados para relançar a economia forem mobilizados, Moçambique voltará a vincar a sua posição de destino de eleição para os investimentos", afirmou o presidente do Ipex.

A agricultura, recursos energéticos, nomeadamente gás e carvão, infra-estruturas, turismo, comércio, serviços e indústrias são áreas com poder de continuar a atrair investimento interno e externo para Moçambique, acrescentou João Macaringue.

"Não há nada a inventar, as áreas de investimento em Moçambique são as que têm sido proclamadas nos últimos anos e oferecem amplas possibilidades de negócios", frisou.
Falando na conferência de imprensa de anúncio da realização da Facim, o presidente do Ipex disse que o evento pretende "vincar a sua marca de maior montra nacional que diz presente mesmo em períodos de crise".

Macaringue adiantou que estarão presentes 2.250 empresas moçambicanas contra 2.350 na edição do ano passado e são esperados 87.500 visitantes contra 84.900 em 2015.

Dados da listagem dos expositores na Facim, a que a Lusa teve acesso, indicam que, na próxima edição, o Pavilhão de Portugal conta com 31 empresas inscritas, a que se somam duas associações, abaixo das 42 firmas representadas em 2015 e das 50 em 2014.

Além do Pavilhão de Portugal, dezenas de empresas de capitais portugueses participam noutros espaços de exibição na Facim.

Segundo Macaringue, 33 países estrangeiros já confirmaram a sua presença na Facim, a maioria oriunda dos países da União Europeia, contra 31 no ano passado.
No total, 630 empresas estrangeiras vão participar no evento contra 680 em 2015, acrescentou o presidente do Ipex.

Sobre os receios de que a Facim podia ser ensombrada pela crise económica e militar que afecta Moçambique, João Macaringue frisou que o evento será uma oportunidade para demonstrar que as contingências que o país atravessa são transitórias.

A Facim vai decorrer até 04 de Setembro em Marracuene, nos arredores da capital moçambicana, em 12 pavilhões, numa área total de 53.650 metros quadros, contra 47 mil metros quadros ocupados em 2015.

As intenções de investimento em Moçambique caíram 48% no primeiro semestre de 2016 comparativamente ao mesmo período do ano passado, com Portugal no quinto lugar dos principais investidores, mas com uma queda de 80%, bastante superior à média.
Todas as formas de investimento sofreram descidas acentuadas, com o estrangeiro a baixar 54% e o nacional 56%.

A economia moçambicana está a ser atingida pelo abrandamento do crescimento, com a revisão em baixa dos 7% inicialmente programados pelo Governo em 2016 para 4,5%, forte desvalorização do metical e subida da inflação.

As exportações diminuíram, em resultado de uma fraca produção interna e da descida dos preços das matérias-primas, um quadro agravado pelo impacto das calamidades naturais e pela crise política e militar entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

Em Abril, foram revelados avultados empréstimos garantidos pelo Governo, entre 2013 e 2014, de 1,4 mil milhões de dólares, fazendo disparar a dívida pública para 86% do Produto Interno Bruto.

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